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A tempestade espanta. Entretanto , acentuar-nos-á a resistência, se soubermos recebê-la.

André Luiz / Chico Xavier.

Biografias

11/05/2011 - Eurípedes Barsanulfo


Zeus Wantuil Data: 01/04/2000 Fonte: Grandes Espíritas do Brasil

Nasceu Eurípedes Barsanulfo na cidade de Sacramento (Minas Gerais), a 1o. de maio de 1880, e aí faleceu a 1o. de novembro de 1918.

Foram seus pais Hermógenes Ernesto de Araújo e D. Jerônima Pereira de Almeida, ambos, a princípio, pobres de haveres materiais, mas ricos de virtudes cristãs, as quais enchiam o lar honrado de alegria e paz.

Logo que pôde manifestar os nobres sentimentos de que era dotado, revelou-se um menino admirável pela sua inteligência precoce, pela sua dedicação ao trabalho e ao estudo.

A sua juventude não decorreu despreocupada, como  só acontece com aqueles que são bafejados pela fortuna.  Muito jovem ainda, teve de enfrentar as vicissitudes do lar, promovendo os meios de auxilia-lo.

Cresceu e viveu sempre ao lado de seus progenitores, para os quais foi um verdadeiro arrimo.  Trabalhador e dócil, cursou as aulas do Colégio Miranda, estabelecimento de ensino dirigido pelo hábil educador João Derwil de Miranda.  Na madrugada da vida, mostrava grande propensão para seguir a carreira das letras.  Quando estudante, auxiliava os professores, lecionando os seus condiscípulos, e tal era a sua queda para o magistério que se tornou o professor de seus próprios irmãos.  Cumpria religiosamente os seus deveres colegiais e gozava de geral estima de todos os colegas.  O seu irrepreensível comportamento e a sua extrema dedicação aos livros; o seu inquebrantável respeito e amor aos mestres; sua norma de proceder, tudo isso lhe assegurou uma posição de relevo entre os colegas, em cuja classe o seu nome era acatado e respeitado.

Os mestres, por sua vez, não escondiam a admiração que tinham pelo talento e pelo caráter reto do jovem estudante.

Querendo tudo saber, Barsanulfo conseguiu em poucos anos uma sólida  e primorosa cultura.

Do Colégio passou ao escritório comercial do seu pai, onde trabalhou como guarda-livros.

Em janeiro de 1902, com seus antigos professores, Dr. João Gomes Vieira de Melo, Inácio Martins de Melo, e com seu colega José Martins Borges, secundado por outros elementos, fundou o Liceu Sacramentano, instituto de ensino primário e secundário, onde exerceu a cátedra, por cinco anos seguidos, com raro brilhantismo, lecionando, quando se fazia necessário, todas as matérias do curso.

Concomitantemente com a fundação do referido Liceu, surgiu a público a “Gazeta de Sacramento”, hebdomadário que saía aos domingos e que foi por ele redigido durante dois anos.  Nessa folha, Barsanulfo fez a sua estréia como jornalista, escrevendo artigos sobre economia política, direito público, métodos educacionais, literatura, filosofia, etc.  Colaborou, igualmente, de modo fecundo e brilhante, em diversos outros jornais.

Graças à sua inteligência privilegiada e ao seu próprio esforço, chegou a possuir tal cultura, que os seus biógrafos a consideram verdadeiramente assombrosa.

Tinha profundos e largos conhecimentos de Medicina e Direito.  Dissertava sobre astronomia, filosofia, matemática, ciências físicas e naturais, literatura, com a mais extraordinária segurança, sem possuir nenhum diploma de escola superior.

As suas árduas tarefas no magistério, na imprensa e na tribuna; a lhaneza de seu coração, sempre pronto a socorrer os necessitados; a sua palavra amiga e conselheira; a probidade de seu caráter, - tudo isso o fez o ídolo dos seus conterrâneos.  Estes, desejosos de o terem no cenário da política local, elegeram-no Vereador, cargo de que, no dizer de ilustre biógrafo, se aproveitara para dotar a terra natal do que ali existe de melhor em matéria de legislação.  Pelo espaço de seis anos exerceu o mandato de Vereador, dotando a municipalidade de Sacramento com força, luz e bondes elétricos, água encanada, cemitério público tanto para esta como para a povoação de Conquista.

Mas a política não era o clima a que ele aspirava.  Depois de prestar-lhe serviços, dela se afastou espontaneamente, recebendo da opinião pública provas inequívocas de carinho e estima.

Por essa ocasião, o nosso biografado era fervoroso católico, presidente da Conferência de S.Vicente de Paulo.

Espírito livre, talhado para os grandes surtos da espiritualidade, era fatal o abandono futuro da religião que recebera no berço.

É assim que certo dia, tendo conhecimento de espantosas curas realizadas no campo do Espiritismo, resolveu saber o que de verdade havia nesses relatos.  Como seus parentes de Sta. Maria pregavam e praticavam o Espiritismo, no Centro Espírita Fé a Amor, bastante conhecido naquele povoado e um dos mais antigos naquela região, Barsanulfo para ali rumou, no propósito de pessoalmente investigar os fatos.

Observando, em várias sessões, fenômenos de tiptologia, comunicações de alta expressão filosófica, curas maravilhosas, estudou-os cuidadosamente e, de volta à sua terra natal, trouxe consigo as obras kardequianas, que o levaram, afinal, em 1905, a converter-se ao Espiritismo.  Deste se tornou, desde então, o maior propagandista naquela região mineira, especialmente pelo exemplo.  A obra que Eurípedes erigiu, com sacrifício e abnegação, em honra do Espiritismo, em Sacramento, é um desses monumentos grandiosos e imperecíveis que atestam a sua fortaleza moral e a pujança de sua fé luminosa.

Durante 12 anos e sete meses foi presidente do Grupo Espírita “Esperança e Caridade”, por ele fundado.  Como dependência desse Grupo, surgiu em 2 de abril de 1907 o magnífico e grande Colégio “Allan Kardec”, cuja matrícula chegou a cerca de duzentos alunos.

Este importante estabelecimento funcionou sob a sua competente direção durante todo o tempo que viveu aqui na Terra, deixando-o apenas oito dias antes de desencarnar.  Milhares de pobres e órfãos, de ambos os sexos, ali receberam gratuitamente a instrução intelectual e moral, obra esta continuada pelos irmãos do saudoso Euripedes.  Todas as quartas-feiras pregava o Evangelho de Jesus aos alunos do Colégio, incentivando-os, em termos simples, ao amor e à caridade.

Com grande brilhantismo Barsanulfo se desempenhou do encargo de representar o professorado e a instrução pública, por ocasião dos festejos solenizadores da restauração da comarca de Sacramento.

Discorrendo com muita facilidade sobre diferentes assuntos filosóficos e religiosos, nunca deixou de responder do alto da tribuna às diatribes proferidas contra o Espiritismo, tendo-se lhe oferecido a oportunidade de debater a Doutrina Espírita na praça pública com o famoso pregador católico Padre Feliciano Zague.  Num coreto em frente à Matriz de Sacramento, diante de uma assistência de mais de 2.000 pessoas, ocorreu a polêmica entre Eurípedes e o Padre encomendado.  Tal foi a superioridade de Eurípedes sobre o seu contendor, que o povo o carregou em triunfo pelas ruas de Sacramento.  Os próprios Padres do lugar, Pedro Santa Cruz e Julião Nunes, que assistiram ao debate, deram parabéns a Barsanulfo.

Sustentou, também, pelo jornal “A Alavanca”, brilhante polêmica religiosa, defendendo com galhardia a tese – “Deus não é Jesus e Jesus não é Deus”.

Nessas suas calorosas polêmicas, das quais sempre saiu vitorioso, jamais se lhe passou no íntimo o menor lampejo de vaidade, jamais guardou qualquer resquício de mágoa, jamais desceu ao terreno ingrato das retaliações pessoais, tratando todos os seus contendores com a máxima elegância possível e não menor amor cristão.

Eurípedes Barsanulfo era dotado de diversas faculdades mediúnicas desenvolvidas, sendo médium curador, receitista, auditivo, vidente, intuitivo, falante e psicógrafo.  Era com muita facilidade que ele se desdobrava de um lugar para outro, e dava a topografia exata das localidades por onde o seu Espírito passava.

Foi o refúgio para todos os aflitos e abandonados da sorte.  Centenas de desenganados pela ciência da Terra encontraram em Sacramento o lenitivo para os seus males.  Com o auxílio dos Espíritos Superiores, entre eles Bezerra de Menezes, o nosso Barsanulfo curava quase todas as enfermidades.  Inúmeros obsidiados, que eram trazidos de diversas localidades dos Estados vizinhos, dali saíram inteiramente sãos.  A cidade de Sacramento, pequena e despovoada, desenvolveu-se com essa romaria, e chegou a possuir muitos hotéis e mais de vinte pensões.

Homem que não temia difundir as verdades que professava, foi a encarnação do verdadeiro espírita.  Fiel discípulo de Jesus, era o consolo e o amparo de todos aqueles que o procuravam, e a todos dispensava indistintamente o mesmo acolhimento, o mesmo amor.  Não consta que houvesse deixado inimigos pessoais.

Nas suas horas de folga, poucas é verdade, saía ele para os arrabaldes da cidade, a curar doentes de maleita, opilação, caquexias e outros males, ao mesmo tempo que ia pregando a boa doutrina do amor ao próximo.

Em razão de tudo isso, ele gozava de grande popularidade em sua terra natal e até mesmo em todo o Estado de Minas Gerais.  Ainda hoje, apesar de uma existência terrena de apenas 38 anos, Barsanulfo continua a ser relembrado e abençoado naquela região, onde deixou traços indeléveis de sua brilhante passagem.

Manteve durante quinze anos uma farmácia para aliviar as dores e minorar o sofrimento de seus semelhantes, e convém salientar que os pobres ali não pagavam o aviamento das receitas.

Em abril de 1917, chegou a Sacramento, de Igarapava, o Coronel Azarias Arantes, acometido de grave enfermidade, a qual foi radicalmente curada pelo Espírito de Bezerra de Menezes, servindo de médium Barsanulfo. A retumbância dessa cura, levou algumas pessoas, interessadas no combate ao Espiritismo, a moverem contra o médium um indecoroso processo penal por exercício ilegal de Medicina.

Esse processo acabou por ser arquivado, e conseqüentemente prescrito, porque juiz algum quis pronunciar o caridoso Barsanulfo.  Foi com grande delírio e entusiasmo que o povo de Sacramento realizou o enterro simulado desse processo, na noite de 9 de maio de 1918.

Trabalhador esforçado, foi um dos maiores espíritas do Estado de Minas.  No dia 1o. de Novembro de 1918, falecia em sua cidade natal, vítima da pandemia de gripe.  O povo, em peso, chorando, acompanhou os despojos mortais ao cemitério.

Cognominado o “Apóstolo do Triângulo Mineiro”, sobre ele assim se externou a “Lavoura e Comércio” de Uberaba, “Foi o apóstolo do bem, ao seu lado nenhuma lágrima ficou sem consolo e, sem bálsamo, dor nenhuma”.

“O Borá”, folha que se publicava em Sacramento, deu, em seu número de 17 de novembro de 1918, excelente notícia sobre a personalidade do respeitado e benemérito sacramentano.

Em 1929, a 1o. de Maio, os espíritas de Sacramento faziam inaugurar, no jardim do Colégio Allan Kardec, uma herma em memória do grande benfeitor Eurípedes Barsanulfo, tendo o Juiz de Direito da Comarca de Sacramento, o Dr. Francisco Cândido da Gama Junior, proferido, na ocasião, como orador oficial da festa, um belo e emocionante discurso.

Sobre um pedestal de granito, cor rosa, repousava o busto em bronze do saudoso companheiro, de autoria do escultor italiano Prof. Armando Zago.  Inscrita em letras de bronze, lia-se a seguinte frase: “A Eurípedes Barsanulfo homenagem da família espírita”.

Muitos ex-alunos do Colégio Allan Kardec compareceram com ilustres espíritas de outros Estados àquela festa de coração, destacando, em vibrantes e sentidas orações, a personalidade valorosa do homenageado.

Palestrantes do mês

Setembro

01 - Nazareth Coelho

02 - Eliana Barrozo Prugner

05 - Leonardo Henrique

06 - José de Abreu (Zezinho)

08 - Miriam dos Santos Almeida

09 - Vinícius de Queiróz Pereira

12 - Fátima Soeiro

13 - José António Evangelista

15 - Wilson Trindade

16 - Margareth Teixeira Magalhães

19 - Silvia Helena Vicente

20 - Eliana Barrozo Prugner

22 - Dárcio Destro

23 - Reinaldo Marangoni

26 - Gisleide Ap. Nascimento

27 - Drª. Tereza Cristina Or

29 - João António Filippini Garcia

30 - Carlos Reis

 

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Nossas reuniões

Segunda

15h - Costura das Senhorinhas

15h - Vibração

20h - Harmonização Espiritual (Reunião Privativa)

Terça

15h30min - Palestra, Passe e Diálogo Fraterno

20h - ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espirita (Apenas alunos inscritos)

Quarta

15h30min - Palestra, Passe e Diálogo Fraterno

20hrs - Educação Mediúnica (Reunião Privativa)

Quinta

20h - Estudo de Reforma Íntima (Reunião Privativa)

20h - Estudo de "O Livro dos Espíritos" e de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (Aberto ao público)

Sexta

15h - Estudo de "O Livro dos Espíritos" e de "O Evangelho Segundo o Espiritismo" (Aberto ao público)

20h30 - Palestra, Passe e Diálogo Fraterno

Sábado

10h - Recreluz: Evangelização para Infância e Juventude

15h30min - Harmonização da Saúde (Reunião Privativa)

18h - Palestra, Passe e Diálogo Fraterno